30 janeiro 2015

DOS DRAGÕES DA IMAGINAÇÃO


foto de marcelo Etcheverria


Pode-se querer dizer algo, causar algum efeito com o inerente e inauferível. Pode-se buscar o apenas inaudito, o simplesmente pueril e sensível. A poesia para crianças trilha o caminho da segunda possibilidade.

A gurizadinha possui imaginação e capacidade de potencializar imagens e afetos, de inventar e desvendar significados, desnecessário dizer-lhes o que devem ver e discernir. O poeta não é terapeuta, nem deve querer ser.

Uma pedagogia baseada no cruel jogo do acerto e do erro tem a mesma condição de castração que a literatura voltada para o fascínio do escritor enquanto formatador de signos. O que importa é o sentido. O que vale é sentimento escrito.

Um poema para pequenos, antes de ser demonstração e análise, deve ser guloseima. E mágica. Com segredo e sabor lúdico suficiente para a sensação de um ato de prazer. Não se pode ter medo de propiciar prazer e gozo para a garotada. A poesia está alguns degraus acima do preceito moral e do malabarismo intelectual. Ela é fantasia, isso já é muito. Poema não é cilada, emboscada – ele pode ser essencialmente um voo livre de asa-delta com as palavras.

É isso ou não é nada disso.



Um comentário:

Beatriz Cristina dos Santos disse...

Adorei sua página, gostaria de conhecer a minha também?

https://www.facebook.com/poemasdabea

bjs