02 outubro 2014

LANÇAMENTO DE LIVROS NA LIVRARIA

Um show literário com obras de Mario Pirata, Júlio Zanotta e Jorge Rein dá a largada em um selo novo que será inaugurado dia 27 de agosto

O evento “Para assassinar a literatura”marca o lançamento do selo Scriptorium de investigação para o assassinato da literatura.

Ventonaveia, de Mario Pirata; A ninfa dragão, de Júlio Zanotta; e The quick brown fox jumps over the lazy dog (a veloz raposa castanha salta por cima do cachorro lerdo), de Jorge Rein, são diferentes na concepção, no gênero, no estilo e na intenção. Mas as três obras, que serão lançadas pelo novíssimo e debochado selo Scriptorium de Investigação para o Assassinato da Literatura, têm em comum o trânsito pelos territórios marginais da escrita, distantes dos cânones, das academias e das bulas literárias. E é justamente por isso que para este lançamento, intitulado “Para Assassinar a Literatura”, foi escolhido o espaço do Café Fon Fon, que abrigará um show literário com fragmentos das obras dos três autores e seus respectivos livros e ainda uma jazz session com Luizinho Santos e Béthy Krieger, dia 27 de agosto, quarta, às 20h.

Jorge Rein nasceu em Montevidéu e reside em Porto Alegre desde 1971. É contista, dramaturgo e tradutor. Em 1986 publicou pela editora Tchê! sua primeira experiência em língua portuguesa, o livro-objeto “&”, ilustrado pela gravadora Anico Herskovits. Quase trinta anos mais tarde, a mesma parceria foi retomada, ainda que com os papéis trocados, em outro livro-objeto, Cidade Imaginária, obra na qual os textos de Rein ilustram as gravuras de Anico. Teve contos publicados em diversas coletâneas, antologias e revistas literárias do Brasil, Uruguai e México. Nos últimos anos, mesmo não tendo abandonado o conto e cometendo esporadicamente algum poema, vem se dedicando preferencialmente à dramaturgia, modalidade na qual já conquistou premiações em concursos no Brasil (IBAC / FUNARTE), Venezuela (ITI-UNESCO) e Uruguai (EL GALPÓN).

Júlio Zanotta é escritor e dramaturgo. Autor de “Louco” (Ed. Ao Pé da Letra), “Teatro Lixo” (Ed. Mercado Aberto), “Milkshakespeare” (Premio Funarte de Dramaturgia) e “O Apocalipse Segundo Santo Ernesto de la Higuera” (Ed. Palmarinca). Uma versão para teatro de A Ninfa Dragão, dirigida por João de Ricardo, foi apresentada na Semana Zanotta,  que, em agosto de 2013, apresentou nove noites de leituras de seus textos dramáticos inéditos . Os textos foram dirigidos por diretores da cena porto-alegrense, numa promoção da Coordenação de Arte Cênicas da Prefeitura de Porto Alegre. Estão sendo desenvolvidas três outras versões de A Ninfa Dragão. Para quadrinhos, para animação e para game.

Mario Pirata retorna à poesia para adultos com esta obra, depois de publicar para crianças e jovens durante alguns anos. Ventonaveia é o seu 4º livro para adultos e o 17º de sua bibliografia. Iniciou sua carreira literária nos anos 70, integrando a chamada “geração mimeógrafo”. É presença constante em saraus e encontros de poesia. Ministra oficinas voltadas para o desenvolvimento da linguagem poética.  Seus poemas  foram publicados em coletâneas e antologias.  Entre suas principais obras estão: “Calcinha Rosa na Cadeira de Balanço” (ed. Tchê), “Cambalhota”  (Col. Petit Poa),  “Bicho-Poesia” (Ed. Paulinas) e “A Magia do Brincadeiro” ( ed. Mercado Aberto).

SOBRE AS OBRAS

The quick brown fox jumps over the lazy dog (a veloz raposa castanha salta por cima do cachorro lerdo) é uma espécie de fábula amoral (não imoral). Trata-se de uma narrativa segmentada, que não se submete a um padrão tradicional de linearidade. Seus capítulos podem ser comparados às peças embaralhadas de um mosaico. É na interação com o leitor que os fragmentos se encaixam e se revela um desenho final, talvez nem sempre o mesmo, porque qualquer leitura é uma nova escrita e toda escrita é uma experiência individual. O título escolhido, além de ser uma referência direta à trama, aproveita aquele que é, provavelmente, o mais conhecido dos pangramas (frases que utilizam a totalidade das letras do alfabeto). Não há história que não possa ser contada através de uma combinação dos elementos do pangrama.    

A Ninfa Dragão, ilustrado por Pena Cabreira, é uma novela de metaficçãocientífica, alegoria de um futuro fantástico visto com ironia. A linguagem utiliza expressões científicas sem levar em conta, necessariamente, o seu significado. O texto foi escrito eliminando sinais gramaticais, pontos ou vírgulas. Um símbolo gráfico separa os períodos sintáticos. Norton, um extraterrestre minúsculo, cruza o universo numa viagem sem precedentes e é enviado para o Instituto Jacutinga, onde é submetido pelo Dr. Kirihara a todo tipo de experiências bizarras. O Dr.  Kirihara criou em laboratório a Ninfa Dragão, uma maravilha genética.   Mas alguma coisa deu errada. A Ninfa Dragão nasceu gigante, com duas bocas, dois narizes e um olho. Os seios estão no lugar certo, mas a vagina saiu onde estava o umbigo. Um pênis surgiu no peito e parece uma gravata. Norton penetra na Ninfa Dragão para encontrar o código secreto que fará com que ela recupere sua forma original. 

Ventonaveia reúne 101 poemas inéditos. Inicia justificando o título e encerra com um epitáfio. É um livro aberto, com o recheio exposto ao visitante, propondo-lhe a aventura de degustá-lo e deixar-se ficar um bom tempo entre as páginas. Ventonaveia é a cara do autor, ou então as suas máscaras. No melhor dos sentidos, Mario Pirata é um artista de feira. Faz versos malabares, retira e joga aos ares os lenços coloridos dos poemas. O verbo para aquecer o inverno da plateia. Agita seu pandeiro e seus chocalhos para marcar o ritmo que exige cada letra, convidando a dançar, celebrar a poesia e arrastar o povo nessa festa. Ventonaveia sopra, despenteando as perucas.
  
PARA ASSASSINAR A LITERATURA
Dia 03 de outubro - Entrada franca – 19 horas
PALAVRARIA Livraria e café - Rua Vasco da Gama, 165

Contato:  
Mario (51) 98144841
Júlio (51) 91412050
Jorge (51) 99554746