03 março 2014

PERFIL

ainda menino, aprendi, cenoura não é pepino,
a amizade dos que me são queridos, ouro fino.
quero-quero, sabiá-laranjeira, alimentaram sonhos,
colibris entregaram os gomos doces dos jardins.
brincadeiras de quintal, inventei com dorival.
o desenho das rosas, com adoniran e noel.
descobri com lupicínio o tamanho do fascínio.
viajei até pasárgada, visitei trebizonda.
levantei porteira nas coxas macias da fantasia.
quando vi seu tatu abrindo toca sem chorar,
botei poeira na sola do pé, atirado no mundo.
alarguei memória no horizonte encantado
das histórias plantadas em meu coração,
na seiva dos mistérios da terra do sem-fim.
hoje faço cantoria no vestido prata da lua,
bordo histórias no manto dourado do sol.
a poesia, girassol no canteiro,
meu tesouro e meu segredo.
a poesia, agasalho sem preço,
é cachecol ao redor do pescoço.
e todo o amor que mereço.

Um comentário:

Maria Eu disse...

Lindo! Uma cadência tão envolvente... :)