a poesia acorda
com todos
todas as manhãs
alguns não
percebem
escamoteia-se de
outros
com a primeira
mentira do dia
quem desperta em meio
discursos: este a desconhece
o poema abraça a
vida
manhoso &
moleque
morde a própria
carne
molda na argila
a imagem
manuseando os
fogos da aldeia
o poeta desnuda a pele
para um passeio ao sol
e trabalha o silêncio
- basta o piscar
de olhos:
o selvagem dia
acariciado nos dedos
ao redor
do lado de fora
a vida bailarina
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