15 Setembro 2011

INSTRUÇÃO DE TIRO

a poesia acorda com todos
todas as manhãs
alguns não percebem
escamoteia-se de outros
com a primeira mentira do dia
 
quem desperta em meio
discursos: este a desconhece
 
o poema abraça a vida
manhoso & moleque
morde a própria carne
molda na argila a imagem
manuseando os fogos da aldeia
 
o poeta desnuda a pele
para um passeio ao sol
e trabalha o silêncio
- basta o piscar de olhos:
o selvagem dia
acariciado nos dedos
 
ao redor
do lado de fora
a vida bailarina

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