08 dezembro 2010

NA BOCA DO MONTE



A poesia ajuda a respirar bem. – Gaston Bachelard.
A criança que brinca e o poeta que faz um poema estão ambos na mesma idade mágica. – Mario Quintana.
A infância é a poesia da vida. A poesia é a infância do mundo. – Boris Novak.

Quem planta, sabe. A terra fofa no canteiro faz a planta crescer mais ligeiro. E como saber o modo melhor para a aquisição de aprendizados para uma criança? Para a sua educação, não apenas para a sua instrução?
Eu compreendo que a união do conhecimento com o encantamento é a condição mais eficaz e saudável para isso. Para a educação de alguém, considerada não penas como um processo de crescimento intelectual e emocional, mas também, e essencialmente, ético e moral. Para sabores mais tenros, sabores mais densos.
No dia 19 de abril de 2010 realizei algumas rodas de poesia com as crianças das séries iniciais do Colégio Franciscano Sant’Anna, de Santa Maria, como venho fazendo desde 1985, em ginásios, auditórios, teatros e praças, em diversas cidades do estado do Rio Grande do Sul, e outros, nos diversificados programas de estímulo ao hábito salutar da leitura.
A alegria que recebi não foi apenas por ter abraçar os guris e beijar as gurias, autografando exemplares para a poeta Márcia Regina, professora responsável por minha ida à Escola, também responsável por um trabalho bem legal na Biblioteca da instituição. Senti-me alegre porque conheço a dimensão do que posso receber e compartilhar com as crianças, pelo olhar do coração delas. E como avaliar de um coração o olhar, qual método mesura isso? Pois então!
Sinto respeito pelo trabalho do professor em sala de aula. Venho aprendendo, também, que a arte é ferramenta essencial para o desenvolvimento da imaginação da criança e do adolescente. Um princípio que formatará o comportamento do adulto que virá. E que a sabedoria não é apenas a soma de informações ou o número de títulos e qualidades de uma pessoa.
Criança que não brinca é um adulto que não saberá pensar, alguém sentenciou, considerando o manuseio da intuição na construção do processo cognitivo. Não pode haver ciência sem consciência. E esta nos conduz ao modo como respiramos, como pensamos e nos alimentamos. A poesia, e toda e qualquer linguagem criativa, possibilita a leitura mais ampla de um código vivo e em constante movimento, como a vida que levamos.
Para o matemático, um mais um é dois. Para a poesia, para o dia-a-dia, nem sempre. Pode ser mais, ou menos. A ética não prescinde da estética. De outra forma, em múltiplas formas, esta ganha validade naquela. E vice-versa.
Nesta direção estaremos obtendo o modo de linguagem que se queira mais concreto e completo. A fantasia redesenha a verdade com imagens e possibilidades outras. Como eu vejo isso no coração da criança? Sinto, apenas. E não apenas com o coração ou com a avaliação do rendimento escolar dela. Mas com seu sorriso.
O dedo do imaginário desvela outras estrelas e conteúdos.
Necessariamente, outros crescimentos. Quem colhe, planta.

GALERINHA...