27 março 2007

TRÊS TIGRES

História para dormir ou para distrair?

(Recado do autor)

Todos gostam de histórias de bichos.
Uns, de contá-las. Outros, de ouvi-las.
Será que apenas os homens gostam delas?
E os bichos?
Os bichos não contam e ouvem histórias?

1
Espichado sobre a pedra, na beira do rio, o tigre azul começou a narrar a primeira história:

— Era uma vez, um lugar bem longe daqui, aqui perto, um homem que vivia sozinho, cercado de amigos e de familiares. Era alto e magro, também era baixo e gordo, não sei bem ao certo. O que eu sei é que ele vivia caçando peixes no mato, pescando coelhos no rio.
Um dia, pela manhã, quando o sol já descia no horizonte, o homem, ainda calado, fala aos seus amigos: “Vou sair de volta pra cá, agora mesmo, daqui a pouco, depois eu venho de volta pra lá”.
— Sei lá, talvez não tenha dito exatamente isso. Talvez o que foi dito tenha sido aproximadamente uma outra coisa, não sei bem ao certo. Mas ele falou alguma coisa, pois o silêncio permaneceu até amanhecer a noite.

2
Deitado na grama, de barriga para cima, o tigre amarelo começou a narrar a segunda história:

— Era uma vez um elefante muito gracioso que vivia voando entre as flores, sempre alegre e sorridente. Seu melhor amigo era um beija-flor perneta que passava os seus dias tomando banho de areia no rio, muito triste. Um dia, o elefante feliz convidou o beija-flor aborrecido para passearem juntos pelo jardim. O elefante subiu no bico do beija-flor, mas não conseguiu equilibrar-se direito e caiu com o nariz enterrado na lama - de tanto chorar, o beija-flor com as suas lágrimas havia transformado a areia em lama.
Os dois amigos riram muito com o desastre. Riram, riram tanto, mas foi tanto que riram que não sobrou mais tempo algum para eu contar a história.

3
Encostado na árvore, na sombra macia, o tigre vermelho começou a narrar a terceira história:

— Era uma vez, mas pode ser que venha a ser novamente, um Rei muito rico que não tinha dinheiro algum. Morava no Castelo que não existia, com a Rainha que era boazinha. Os dois tinham uma filha muito chata. Era uma fera, a Princesa, tão brava que era. O Rei usava um chapeuzinho vermelho na cabeça, gostava de passear com a Rainha entre os canteiros das macieiras. Naquele reino, todos gostavam de maçãs. Uma tarde, depois de almoçarem (maçãs, é claro!), eles estavam passeando (o Rei e a Rainha, é claro!) quando escutaram um som muito estranho do lado de fora do Castelo (ou do lado de dentro, porque não havia Castelo algum mesmo!).

E vocês conseguem imaginar que sons estranhos eles escutavam? Eu consigo... Era a Princesa, muito bela, sentada no jardim, ao lado de uma longa fila de sapos. É claro, sapos beijoqueiros!

Última cena:

Descansados, famintos, os três tigres puseram-se a caminhar na direção da Floresta...
Ou na direção da cidade do Sem-fim, da Terra do Nunca, não sei bem ao certo!
- mario pirata

4 comentários:

Luciana Marinho disse...

Puxa, isso aqui é um baú sem
fundo, infinitamente cheio
de coisas belas. Guardião do
amor.

No link do cachorrinho
serelepe tem outro recadinho.


Beijos!

sandra camurça disse...

Mário!

Li seus comentários lá no meu refúgio, cê me deixou emocionada, rapaz!
Pode não parecer mas, com todo o meu humor, ando mal pra cacete. Cê me fez muito bem, meu bem! Voltarei com freqüencia no teu Brincadeiro. E, sempre que puder, vem me visitar! A "casa" tá sempre de portas abertas. Também quero ser tua amiga.
Beijaço (beijo + abraço)!

My ra disse...

Obrigada por me fazer sorrir. Tu és demais! Bj

Lívia disse...

Mário,

conheci tua poesia hoje, em 7/4, pela TVE.

Resolvi ler o livro virtual e me deparei com o blog. Incrível! Percorri todas as palavras ansiosa!

:)

Sinto muita delicadeza, muita suavidade nas tuas palavras: gostei muito de tuas poesias! Energia tão boa, tão positiva.

Um grande abraço!
Lívia