02 janeiro 2007

ANO NOVO


Renova-se o dia. No coração, o sorriso.
O sentimento, manso como cavalo de cego.
A esperança, mais forte que arroto de corvo e sapato de padre.
O olhar, tranqüilo que nem água de poço,
calmo que nem vida de bagual.
A vida, mais gostosa que água de cacimba,
mais doce que beijo de prima.
Tempo novo, mais alegre que égua com dois potrilhos.
Mais faceiro que passarinho bicando bosta
e guri de bombacha nova.
Até a lua se faz de novilha
pra comer milho quebrado.
Despede-se o velho, mais enfeitado
que penteadeira de china
e cemitério em dia de finados.
Espinho que pinica de pequeno já traz a ponta.
Ovelha não é pra mato, o mar não está pra peixe,
onde tem corvo, tem carniça.
Cada um dá o que tem e recebe o que merece.
Seguir a estrada, descansando na sombra, escutando
as canções da mãe natureza nos tambores do vento.
Mais alerta que quero-quero em coxilha,
mais à vontade que bugio em mato de boa fruta.
O mundo arreganhado como ganso novo
em taipa de açude, verde como cuspida de mate.
Na gaiola, o pássaro não aprende a voar.
Na escola, a criança quer sonhar.
Bate na porta, o eterno, trazendo pela mão
a menina de olhos lambuzados
e cabelos encaracolados chamada Felicidade.

- mariopirata

3 comentários:

CeciLia disse...

Que 2007 te lambuze de bênçãos, poeta. Abraços,

Thaty Marcondes disse...

Barbaridade, guri! Mui bueno!
Um 2007 estupendo pra ti!
beijos

aLEXANDRE iRGANG disse...

mAS bAH /tRI lEGAL tCHÊ!!!!